Quem você vê?

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Primeiro, dê play: 



Tira a maquiagem da cara. Coloca a franja atrás da orelha, prende essa mecha solta no coque alto. Por que não se sente confortável dessa forma? Tira os acessórios, repara nas marquinhas de expressão - elas até que dão um charme pra falar a verdade, não é? Desce dos saltos; bem que poderia ter aquele um centímetro a mais pra ter uma altura arredondada como sempre diz ter - se bem que, teve aquela vez que confessou àquele rapaz que tinha seus 1,59 m batidos, nem um a mais, e que ele tornou a sua insegurança em uma conversa deliciosa e cheia de risadas. Bobeira. Tinha várias outras preocupações, essa só era aparente quando todas as outras resolviam ficar escancaradas. Tudo virava paranoia. 

A maquiagem nem sempre a fazia se sentir bem. O salto machucava. Sair sempre de casaco ou blusa de manga no verão era incomodo, talvez o seu braço nem fosse tão feio assim. Tirar os óculos quando marcava encontro, mesmo que fosse em cinema com filme legendado, era estupidez - por que ainda insistia em fazer isso? Ninguém nunca reparou que suas pernas eram diferentes, até contar que só usava calça por causa disso; coloca um short, arrisca uma saia. 

Livre-se. Tire as amarras. Desprenda suas paranoias. Deixe-as ir. Imponha-se. 

E agora, quem você vê?  

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