Apaixonante

13:29



Você dançava de olhos fechados e sorriso aberto, eu pus os olhos em você e sorri.
As mãos trêmulas e as batidas aceleradas gritam, quebram o silêncio do adormecido. Trazem vida à vida outra vez.
Seus pés flutuantes desenhavam o caminho, então eu o segui.
Eu poderia dizer que foi naquele exato momento que me apaixonei. Me apaixonei pela sua paixão pela vida, a sua vontade de abraçar o mundo de uma só vez. É apaixonante o tesão que você tem por tudo aquilo que ama. Você não sabe, não faz ideia de como o brilho nos olhos mostra do que é capaz.
Quando se está apaixonado acaba-se por construir uma imagem ilusória, idealização do alvo da paixão. Eu construí sua imagem juntando as partes mais lindas de você. Um quebra-cabeças que eu montaria quantas vezes fosse necessário.
Não há nada mais apaixonante do que a empolgação de quem se joga de cabeça em tudo que faz. Eu me jogo sem cordas no abismo, mergulho em você. E você não tem responsabilidade nenhuma sobre isso, nem mesmo deveria tê-la. Você se torna apaixonante justamente por não ter pretensão de sê-lo. Seu efeito hipnótico sobre mim se deve à essa petulância perante a liberdade. Liberdade de ser o que é, liberdade de ser o que quer. Você não sabe o que é, você sabe QUEM é. Você não sabe o que causa, e sem saber disso sabe o que faz.
O apaixonante assusta. Os dois lados da mesma moeda. O que atrai também repele. Como um imã, que puxa para si na mesma medida que afasta.
Quanto mais perto, maior o medo.
Quanto mais longe, maior o desejo.

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