Ninguém é tão liberdade que não precise de aconchego.

23:07



Foi embora, arrumou um pretexto qualquer, uma daquelas desculpas esfarrapadas que se dá quando não tem coragem de dizer a verdade, ou simplesmente quando não sabe o porquê, somente decidiu isso, e sabe-se que não vai voltar. 
Quando alguém insistia em que desse um porquê, dizendo não bastar querer ficar só - "Afinal, quem diabos quer ficar só? Ninguém, meu bem, todo mundo tá a procura de alguém. Fala a verdade, fala pra mim, eu te conheço bem, tem outra pessoa tomando conta desse coraçãozinho, não é?" -, ficava se perguntando qual o momento certo para confessar a alguém o que sentimos? Não só o "intervalo perfeito" entre o primeiro encontro e a declaração de amor, é no geral. Qual o momento certo pra dizer que deixou de ser?

Foi embora, não porque tinha outro alguém, não porque algo deu errado, não porque houve traição. Só quis sair, respirar, correr, andar, voar. Sempre alegou ser liberdade. 
- O ruim de ser liberdade - dizia - é não se prender a qualquer pessoa simplesmente por estar carente. O bom de ser liberdade é não se prender a qualquer pessoa simplesmente por estar carente. Consegue entender?   
E sempre que insistiam: 
- Essa tal liberdade deve ser medo de se comprometer, tenho certeza! É medo de se entregar e se machucar.   
Fazia-se pensar, dolorosamente, lembrando de cada vez que tinha usado a liberdade como ferramenta de escape.

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