Não é para você.

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Quem sabe, talvez, eu fale do nosso primeiro encontro para as minhas amigas, as mais próximas, e de como ficou impressionado por eu só gostar de café puro, forte, mas doce; é como dizem, de amargo basta a vida. Pode ser que eu estique um pouco mais e conte também como foi a primeira vez que confessou me amar, uma mão segurando a minha, um pé para trás como quem se prepara para se proteger.

Provavelmente eu escute algumas músicas aleatórias e em meio à elas esteja a nossa música. Mas não é como se eu fosse fazer uma playlist com músicas que me lembre nós. Ou que eu tenha guardado aquela primeira música que me mandou, assim como quem não quer dizer nada, mas que deixa qualquer um com uma pulga atrás da orelha. Mas, sabe?, tenho pensado em finalmente aprender a tocar violão e peguei aquela cifra que você dedilhava certa vez de manhã.

Só não vou escrever para você. O pior é que, realmente, não vou escrever para você. Mesmo que eu goste de coisas diretas, sem meios termos. Eu vou escrever; e no meio disso tudo vai ter nós. No começo vai ter eu, falando sobre algo que me aflige ou sobre algo que me deixa feliz, algum pensamento que eu tive ao acordar, alguma lembrança de tempos passados, e, lá para o final, pode ter você. Quem sabe. Quando a lembrança for forte demais talvez eu deixe escapar, ao descrever o personagem, uma característica sua; alguma mania irritante, ou o mesmo tom de voz, até mesmo sobre como seus olhos se fecham ao sorrir. Ali, perdido entre um pensamento e outro, no meio da terra da imaginação, eu posso deixar cair, propositalmente, algum momento nosso pra eternizar o que em algum momento foi um laço. 

Eu não preciso escrever para você mas, talvez, eu escreva sobre nós.

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