Solstício

15:30



Hoje eu li o texto que o Gregório escreveu pra Clarice, não consegui evitar lembrar dela. E apesar de ter saído em tudo quanto é lugar, duvido que ela tenha lido, não faz o seu tipo. Ela lê os meus textos porque tem certeza que 90% deles são sobre ela, e os outros 10% são histórias sobre  o vazio que sobrou sem ela aqui.
E ela tem razão, igual na música da Clarice "hoje eu falei pra mim, jurei até, que essa não seria pra você e agora é". Aliás hoje o dia todo foi sobre ela. Fez calor, e mesmo sabendo o quanto ela odeia os dias quentes, eles também me lembram ela. Nosso primeiro beijo todo desengonçado foi numa tarde de verão. Foi numa noite quente de final de ano, que pela primeira vez ela me fez esquecer que tinha que voltar pra casa. E foi no final do verão que a gente brigou pela primeira vez. Parece que o frio não fica bem pra gente, ela deixou o casaco aqui em casa e quando voltou já era verão outra vez, acabou que nem levou de volta. Ele continua espalhando o cheiro dela pelo armário mesmo depois que ela foi embora.
Citando a música outra vez, esse não era pra ser mais um dos incontáveis textos que eu escrevi pra dizer que ainda não consegui montar os meus pedaços sem ela aqui. Ela sempre soube do que se passava comigo, e acho que eu ainda seria transparente mesmo depois de tanto tempo. Mas tento todos os dias me convencer de que ela deveria saber tanto sobre os meus sentimentos quanto eu sempre soube sobre os seus. 
Ela tinha essa mania de chegar no início do verão e me fazer acreditar que nós poderíamos durar, mas aí o inverno chegava e ela ia embora, como se eu não fosse capaz de aquecê-la.
Hoje de manhã, quando eu acordei e vi que o frio tinha ido embora, fiz de tudo pra esquecer a saudade e lembrar porque eu desejei tanto que ela nunca mais voltasse. Acontece que a gente mora num lugar onde tem muito mais dias frios do que quentes, e ela nunca esteve disposta a ser mais que um amor de verão.

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